As Peripécias de Albertine Henslie – Parte VI

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Eu via Seun se movimentar habilmente e tudo ao nosso redor passava a impressão de estar assistindo a uma tomada de filme em slow motion. O céu azul, o gramado que agora parecia tão macio como algodão e o perfume, tão diferente, que o vento trazia daquela enorme árvore, e tinha certeza que era de lá. Não havia nada além de grama, sol, céu, nós dois e aquela árvore. Até que comecei avistar algumas aves nos céus que voavam em bando e, embora estivessem longe, podia perceber o desenho de suas penas, as rugas em seus pés, suas garras afiadas, a curvatura e textura de seus bicos e sem delírio, se me concentrasse, até mesmo o cheiro delas podia sentir, enquanto cortava o vento correndo e parecia ser abraçada por ele.

A árvore foi crescendo, crescendo e crescendo à medida que nos aproximávamos. Fiquei deslumbrada com a grandeza de seu tronco e copa, com o tamanho de suas raízes e suas cores. Paramos ali, abaixo de sua sombra. Foi então que percebi estar esgotada, mas Seun não.

– Bem, no começo é exaustivo, mas depois você se acostuma. – Ele disse, se alongando.

– No começo? Há quanto tempo você faz isso?

– Desde que eu me lembre. Quando digo começo, não falo de mim, mas de você que viveu muito tempo em outro mundo.

– Outro mundo?

– Sim! Sei que agora é muito confuso, mas você nunca pertenceu aquele lugar. Só esteve lá de passagem.

– Quando você diz aquele lugar, está se referindo a Suez Vale ou ao planeta Terra?

Seun apenas sorriu, enquanto sentava-se ao chão.

– No momento certo você irá entender. Paramos aqui pra que você descanse e para esperar alguém.

– Seun, quero minhas respostas. Você quer dizer que isso aqui é, tipo assim, outro planeta? Outro planeta como a Terra, Marte, Vênus? Onde estamos? E quem estamos esperando?

– Sim, pode-se dizer que estamos em outro planeta. Mas, para quê tantas perguntas? Descanse um pouco. – Disse ele despreocupadamente.

Eu me sentei ao lado dele, encostando no tronco da árvore. Cruzei os braços e rapidamente adormeci, devido ao esgotamento físico, que foi extremamente intenso, embora só houvesse notado quando parei de correr.

Despertei sentindo um perfume familiar, de flores silvestres e com o calor de uma mão afagando meu rosto. Abri os olhos e uma mulher jovem, alta de cabelos longos até a cintura, pele pálida e olhos castanhos claro esverdeados, estava agachada a minha frente, segurando minha mão e sorrindo.

Por Tauany Farias

Coisa e Tau e Tau e Coisa

Não leu a quinta parte? Então acesse: As peripécias de Albertine Henslie V

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