As Peripécias de Albertine Henslie – Parte VII

948508_88800125

– Mãe…? Mãe! – As palavras saíram sem que eu pudesse controlar.

Meus olhos marejaram instantâneamente. Mal pude me conter e logo lançar meus braços ao redor dela em um abraço desesperado. De repente um turbilhão de memórias latentes começaram a bombardear meus pensamentos. Muitas coisas não faziam sentido, mas era minha mãe e eu sabia disso.

Ela chorava, olhava em meus olhos e tornava a me abraçar. A jovialidade de seu rosto, sua pele pálida e macia, seus longos cabelos em uma suave ondulação, seus olhos tão expressivos naquele momento e a conexão impressionante que podíamos sentir quando nos tocávamos.

Eu não sabia o que dizer e talvez não precisasse dizer nada. Ela sorriu, tocando sua testa na minha e eu só pude retribuir. Foi então que Seun interrompeu.

– Compreendo a emoção do reecontro, mas não podemos ficar aqui por muito tempo.

– Claro! – Ela respondeu. – Precisamos continuar e te deixar em segurança.

– Segurança? Não há ninguém aqui.

– Filha… – Ela disse deslizando a mão em meus cabelos – Ele tem razão, precisamos chegar a um local seguro e então lhe explicarei tudo.

– Desculpe, mas eu estou esgotada. Ainda não me recuperei totalmente da corrida…

– Que corrida? – Ela questionou olhando espantada para Seun.

– Então, ao que parece sua filha aprende mais rápido do que poderíamos esperar. Digamos que ela é um pouco acima da média. – Ele disse com um sorriso de satisfação.

Ela me olhou espantada, com um sorriso discreto em seus lábios. Levantou-se, segurou em minhas mãos para que eu me levantasse.

Então, ela começou sussurar algo ininteligível, como Seun havia feito para abrir o muro, mas dessa vez não eram palavras, era como o sibilar do vento.

Foi então que avistei dois gaviões imensos, maiores que elefantes, pousando diante de nós. Suas asas lançavam uma corrente de vento tão violenta que surpreendeu até aquela frondosa árvore acima de nós, espalhando folhas por todos os lados.

Habilmente, mesmo em um delicado vestido de renda, minha mãe subiu em um dos gaviões, que gentilmente se abaixou para que ela o fizesse e estendeu a mão a mim. Subi e Seun, logicamente, montou o outro. Então as enormes aves voaram em uma velocidade impressionante, enquanto o barulho do vento, aos poucos, foi deixando de ser ensurdecedor e tornando-se mais semelhante a uma sinfonia pra mim.

Por Tauny Farias

Coisa e Tau e Tau e Coisa

Não leu a sexta parte? Então acesse: As peripécias de Albertine Henslie VI

Anúncios

Uma opinião sobre “As Peripécias de Albertine Henslie – Parte VII

  1. Pingback: As Peripécias de Albertine Henslie – Parte VIII | Z de Zoe

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s