As Peripécias de Albertine Henlis – Parte XI

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Como saber o que é real? Quando sonhamos ou quando estamos acordados? O que seria sonho, o que seria realidade? Lembro constantemente dos meus sonhos na infância. Lembro que podia voar e correr sem me cansar. O cenário era sempre o mesmo: uma praia, areia fina e branca, a água do mar extremamente cristalina e atrás havia uma floresta. Lembro-me de correr pela beira do mar com meu pai, até ele me segurar, jogar para o alto e me pegar a tempo novamente, enquanto minha mãe sorria, sentada sobre uma toalha de piquenique, junto a uma cesta, escrevendo em uma espécie de diário.

Hoje eu sei que isso era uma lembrança, não simplesmente um sonho que eu costumava ter. O mais interessante do sonho era esse garoto, que eu notava nos observando através da mata. Meu sonho sempre acabava quando eu o encarava e, agora, conseguia me lembrar de tudo perfeitamente. Levantei-me do chão, senti minha força voltar instantaneamente e o calor que percorria meu corpo. O encarei da mesma forma como fazia no sonho, enquanto ele zombava de Seun caído no chão.

– Dimitri, é melhor você sair daqui agora. – eu disse.

Ele virou o pescoço lentamente em minha direção e eu pude enxergar o pânico em seus olhos. Pude perceber seu coração acelerar, o movimento trêmulo de seus membros e mudança de tom em sua voz, embora ele tentasse disfarçar.

– Ora, ora… Vejam quem recuperou a memória! A filha perdida regressa ao lar finalmente. – Ele disse ironicamente, aplaudindo em tom de deboche.

Caminhei até ele, olhando em seus olhos e sem pressa.

– Quando eu disse para você partir, falei sério. É a sua segunda chance, vá embora!

Ele me encarava, ainda tentando me convencer do seu tom de deboche. Lentamente virou as costas para mim, mas eu sabia quem era esse garoto e ele não iria embora tão facilmente e fez justamente o que eu esperava que ele fizesse, virou-se novamente tentando me surpreender com um soco de direita. Agora ele já não era tão rápido e facilmente consegui atingí-lo no estômago e em seguida com um golpe de esquerda no queixo. Dimitri perdeu o equilíbrio e caiu sobre um dos joelhos, pude ver seu olhar perdido, tentando encontrar socorro desesperadamente em algum lugar. Havia tanta raiva dentro de mim por ele, principalmente agora que lembrava exatamente quem ele era.

– Eu disse pra você ir embora.

Fechei o punho direito e ergui impiedosamente para ferí-lo mais uma vez quando fui interrompida por um grito:

– Por favor, não o machuque!

Por Tauany Farias

Coisa e Tau e Tau e Coisa

Não leu a parte anterior? Então acesse: As peripécias de Albertine Henslie X

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