As Peripécias de Albertine Henslie – Parte XIII

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Sim, foi uma péssima ideia correr sozinha pela floresta, ambiente ao qual eu certamente não era acostumada. Estava extremamente cansada e mais do que isso, faminta. Não é porque agora eu tinha força e agilidade que me tornara a perita em caça e técnicas de sobrevivência.

Há três dias eu perambulava sozinha por aí e o mais próximo que cheguei de quase me alimentar, foi quando encontrei um riacho. Tirei os sapatos, dobrei a barra das calças e entrei cautelosamente na água para não espantar os peixes. Acompanhei atentamente o movimento dos peixinhos que nadavam entre as minhas pernas. Meu estômago rugia tão alto, que por um momento me preocupei se o seu barulho não os espantaria. Fixei meu olhar naquele que me parecia mais apetitoso e fui acompanhando seu movimento, enquanto erguia instintivamente o braço e finalmente, pude dar o bote. Para minha surpresa consegui capturar o peixe, mas o que fazer? Eu não sabia como fazer uma fogueira e não conseguiria, mesmo com toda minha fome, comê-lo cru. Devolvi o peixe a água e fui até a beirada do riacho e engoli o máximo de água que pude comportar em meu estômago.

Deitei ali mesmo no gramado que ficava à margem e comecei chorar. Só queria minha vida antiga, só queria estar no orfanato, no meu antigo quarto, com aquelas lembranças de quem eu sempre pensei que fossem meus pais e aquele relógio antigo. Agora eu não tinha nada e estava completamente sozinha em um mundo completamente estranho. Fechei os olhos e desejei acordar diversas vezes. Até escutar um sussurro:

– Ela está chorando… – Disse uma voz fina.

– Claro que não, seu burro. Ela deve só estar ensaiando para um espetáculo! – Disse outra vozinha fina, um pouco mais fanha.

– Espetáculo? Você nem a conhece pra saber se ela é artista!

– Ela parece artista… parece até princesa!

– Isso é verdade!

Levantei e procurei entre as árvores de onde vinham as vozes.

– Corra, ela viu a gente!

Então vi os dois gêmeos, que talvez tivessem entre 8 e 9 anos de idade, correndo pela floresta. Claro, peguei meus sapatos e fui correndo descalça atrás deles.

– Hey, esperem! Quem são vocês? Não vou lhes fazer mal.

Um deles parou e me encarou sorrindo. Enquanto o outro gritou:

– Corra, Ian! Não dê ouvidos!

Ele caminhou em minha direção e disse:

– Prazer, Ian! Herdeiro do Trono de Medin e aquele é meu irmão, Beni!

Então o pequenino me estendeu a mão e seu irmão, com uma cara de aborrecido, disse:

– Venha, garota. Você deve estar com fome, seja lá quem for!

Por Tauany Farias

Coisa e Tau e Tau e Coisa

Não leu a parte anterior? Então acesse: As peripécias de Albertine Henslie XII

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