As Peripécias de Albertine Henslie – Parte XIV

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Os dois me puxavam apressadamente com suas mãozinhas incrivelmente fortes e ágeis. Eles corriam se divertindo pela floresta, gargalhavam a cada tropeço meu e não sei porque, mas eram extremamente familiares. Eu me sentia tão viva, podia soar esquisito, mas era como se eu estivesse mais forte por estar com eles, simplesmente não podia explicar a sensação que aqueles dois me causavam.

Chegamos a beira de um lago onde uma senhora negra, alta e robusta, de cabelas trançados, cantarolava enquanto retirava da lagoa uma rede repleta de peixes e os colocava em um cesto. Os meninos largaram minha mãos e correram para ela com seus braços estendidos dizendo:

-Ama Dee!

– Meninos, mas voltaram tão depressa!

Ela se virou sorridente, com o cesto nos braços e, quando viu que eu estava junto dos garotos, deixou o cesto cair no chão. O semblante de espanto e o olhar impressionado que lançou para mim, sem dúvida, fizeram com que eu ficasse totalmente desconcertada, como se não devesse estar ali.
A mulher estendeu um braço em minha direção e veio caminhando, com as pernas um tanto enrigecidas e dizia:

– Pelos céus! Pelas encostas de Medin… Não pode ser!

Chegou bem perto de mim, recuei alguns passos, porém ela continuou a avançar. Então, por não sentir perigo algum, parei ali e agora ela me olhava como se estivesse reconhecendo alguém, analisando minhas feições e  vi seus olhos marejarem e aquela mulher lançou seus braços ao meu redor, apertou-me contra seu peito e eu podia ouví-la soluçando e sentia as lágrimas que escorriam.

– Bendita seja, filha de Medin! – Beijou minhas bochechas e começou gargalhar!

– Vamos, vamos, meninos! Hoje é dia de festa!

– Dia de festa? – Perguntou Beni.

– Sim, meu filho, dia de festa!

Ama Dee deu um assobio potente e, em poucos instantes, uma águia enorme pousou em nosso frente.

– Subam, rápido! – Ela disse sorridente! – Meu Senhor não desconfia do que está porvir!

Assim que levantamos voo, pude notar como aquela floresta era diferente das que eu conhecia, haviam árvores em formatos diversos, cores diversas de folhas, ao norte haviam falésias coloridas, rios percorrendo as matas, uma riqussíma variadade de aves e animais enormes. Era engraçado como uivo do vento era agradável, conseguia entender perfeitamente sua melodia, às vezes conseguia até discernir uma palavra ou outra de seu canto.

Finalmente, chegamos as altíssimas muralhas douradas de Medin. Seus doze portões, também de ouro, impressionavam qualquer um. Os rios que cercavam a cidade, certamente dificultavam o ataque de qualquer inimigo. Suas ruas eram largas, as casas todas claras, tudo extremamente limpo e em ordem. A cidade era deslumbrante.

Pousamos no jardim do castelo, um gramado enorme, lembrava até aquele de quando cheguei aqui, porém com uma variedade incrível de flores, árvores e animais, isso mesmo, animais.
Beni e Ian desceram correndo e gritando:

– Pai! Papai!

Vi aquele homem alto, cabelos grisalhos lisos, um pouco acima da altura dos ombros, queixo largo, com nariz na proporção certa do resto e a ponta fina, um sorriso extremamente radiante, podia notar a idade nas marcas de expressão de seu rosto, que não o envelheciam, mas faziam saber que se tratava de um homem na casa de uns 50 anos de idade. Tinha olhos escuros, usava uma camisa bata clara, calças um pouco mais escuras e estava descalço. Usava dois anéis no dedo anelar da mão esquerda.

Ele abraçava os dois meninos entusiasmado, fazendo cócegas e assim que levantou o olhar e nos encaramos, senti as lágrimas lavarem meu rosto e agora eu podia me lembrar de tudo nitidamente e tudo que pude dizer foi:

– Pai!

– Filha! – Ele respondeu chorando enquanto caminhava em minha direção, até estarmos em um abraço quase que infinito.

Por Tauany Farias

Coisa e Tau e Tau e Coisa

Não leu a parte anterior? Então acesse: As peripécias de Albertine Henslie XIII

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