As Peripécias de Albertine Henslie – Parte XVI

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Era um mundo novo, completamente diferente do que eu estava habituada. Paramos em frente a uma enorme casa branca, com uma grande porta de madeira maciça, que tinha um cheiro até um tanto forte. Esperamos alguns segundo até que uma senhora robusta, cabelos compridos e castanhos e olhos escuros, um tanto desajeitada com seu óculos de leitura ainda a ponta do nariz, veio nos receber.

Havia um corredor enorme e largo, alguns quadros, plantas, paredes claras, chão de madeira, seis portas, tês a direita e três a esquerda. Ao final do corredor havia um hall enorme, com uma escadaria a sua esquerda. Desde que eu cheguei, o orfanato não ficou muito tempo por ali. Logo a prefeitura da cidade construiu um prédio mais moderno e promoveu a mudança, já que o casarão, apesar de ser uma propriedade incrível, estava caindo aos pedaços.

Ama Dee entrou com esta senhora, que era Dona Carmen, na segunda sala a esquerda do corredor. Sentei em um sofá que ficava em frente, onde Ama Dee pediu pra que eu quietinha aguardasse. Confesso que ouvia o som de outras crianças brincando e foi extremamente difícil permancer ali, principalmente pela demora.

Quando saíram, Dona Carmen me levou até meu quarto e disse que cuidaria de mim por uns dias, até meu pai conseguir resolver alguns problemas. Ama Dee fez eu vestir meu pijama,  então fiquei intrigada, pois ainda estávamos no meio tarde e eu dei muito trabalho. Quando o vesti, ela disse que eu iria dormir, pois estava muito cansada para conseguir brincar com as outras crianças dali e não daria conta, logo todos iriam rir de mim. Se havia algo que eu destava, era ser motivo de chacota, quando criança. Acreditei piamente em suas palavras e deitei. Ama Dee se sentou ao meu lado, se debruçou sobre mim, beijou minha testa e começou cantar uma melodia, não havia letra, era apenas um sussurro, enquanto esfregava minha mão entre as suas e assim eu adormeci e acordei dois dias depois, sem ao menos me lembrar de quem eu era, de onde vim, sabendo apenas que eu era órfã e havia perdido meus pais em um acidente de carro.

A única coisa que não conseguia entender era porque minha mãe me queria morta. Ainda não havia entendido porque ela estava do lado de Gedor.

Comecei a caminha pelos corredores do palácio, lembrando de alguns momentos da minha infância por aqueles corredores. Fui até meu antigo quarto e, ainda era exatamente da maneira como eu me lembrava. Os brinquedas, a cama, a cômoda, tudo. Fui até a janela de onde eu conseguia avistar o jardim, os portões frontais do palácio e a cidade. Foi quando vi entrar pelos portões e caminhar em direção a entrada um cavaleiro, não como os do exército vermelho, mas esse era diferente, imponente, até me lembrava algum príncipe dos contos de fadas que eu já havia lido na infância, sem aquela farda militar de gala claro, mas ele usava coturnos de coro, muito bem polidos, que chegavam pouco abaixo do joelho, calça escura, vestia uma camiseta regata com uma espécie de colete por cima. Em seu cinto havia uma espada e, embora eu não visse, sabia que no colete deveriam haver algumas outras armas. Ele também estava com braceletes prateados em seus braços. Confesso que acompanhei cada passada do cavaleiro, um tanto encantada. Meu pai saiu a encontro dele antes que ele se aproximasse da entrada. O cavaleiro se ajoelhou e meu pai logo o ergueu e abraçou, quando eles se aproximaram mais da entrada não pude acreditar em quem estava ali, o tal cavaleiro era nada mais, nada menos que Seun, de barba feito, banho tomado e o cabelo provavelmente cortado.

Por Tauany Farias

Coisa e Tau e Tau e Coisa

Não leu a parte anterior? Então acesse: As peripécias de Albertine Henslie XV

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