As Peripécias de Albertine Henslie – Parte XVII

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– Você só pode estar brincando comigo! Ele é meu tutor? Qual é?!

Albertine era realmente diferente das outras garotas por aqui, por isso era tão estranho conviver com ela. Ela não se desfazia das roupas com as quais havia chegado aqui, tanto que até pediu para que Ama Dee fizesse roupas semelhantes. Enfim, depois que seu pai me nomeou como seu tutor, pensei que, se ela tivesse oportunidade, com certeza faria algo ardiloso para se livrar de mim.

– Por favor, filha… Não temos tempo para discutir! Eu confio em Seun, conforme-se. É hora dessa diferença entre vocês ser resolvida! Aliás, essa é sua primeira lição: perdão!

As bochechas dela coraram, seus olhos se apertaram. Vi seus punhos cerrados e como pressionava os lábios e mantinha-se em uma posição rígida. Então vociferou:

– Você sabe o que ele fez? Sabe que eu quase morri porque ele me entregou nas mãos daquela louca?

De repente, o Rei que estava escolhendo alguns livros na prateleira de sua biblioteca, enquanto falava com Albertine, virou-se. Deixou os livros em cima de uma mesa e vi como seu semblante havia mudado. Então ele falou firme:

– Nunca, nunca fale assim de sua mãe. Não importa o que ela fez, ela é sua mãe! É a mulher que eu amei, é a mulher que te trouxe a vida. Independente do que tenha acontecido, ou das intenções dela, eu não quero ouvir nenhum insulto. Você quase morreu, mas não morreu porque Seun a salvou, ele também foi enganado por Lia. Seja mais grata, não era obrigação dele cuidar de você! E sabe por que sua mãe se tornou o que é hoje? Justamente porque era como você, rancorosa. Aprenda perdoar, Albertine. Quando você não consegue liberar perdão, aquilo que existe de bom em você, o poder que você tem, vai sendo tomado aos poucos, até só existir trevas. O perdão te torna mais forte e melhor, minha filha! Sem perdão não pode haver nada de bom em você, inclusive amor, assim como sua mãe bem lhe serve como exemplo do que a falta de perdão pode fazer a alguém.

Ficamos todos em silêncio, o Rei caminhou novamente até a estante e começou procurar por outros livros e então disse:

– Os dois podem ir.

Saímos da sala e Albertine foi depressa em direção às escadas, para voltar a seu quarto.

– Albertine, precisamos conversar.

– Dá um tempo, cara!

Então ela correu até seu quarto, na ilusão de que estaria mais forte do que eu, porém me antecipei e cheguei a porta antes dela.

– Vamos conversar!

– Alguém andou treinando!

Retribui a ironia com um sorriso de canto no mesmo tom.

– Por favor, Albertine. Querendo ou não, terá de conviver comigo! Desculpe por tudo a que você foi submetida, desculpe por tirar você de sua vida a força, sem nenhuma explicação praticamente. Eu só quero que convivamos em paz e que você encontre em mim alguém com quem possa contar.

– Alguém andou ensaiando em frente ao espelho!

– É realmente difícil lidar com você!

– Eu sei! Bem, desculpe também. Já que você é meu “tutor”, enfim, como começamos isso?

– Por favor, siga-me!

Por Tauany Farias

Coisa e Tau e Tau e Coisa

Não leu a parte anterior? Então acesse: As peripécias de Albertine Henslie XVI

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