As Peripécias de Albertine Henslie – parte XVIII

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Seun me levou ao jardim e lá estavam meus dois pequenos irmãos, Beni e Ian, encostados junto as escadas que levavam da varanda do castelo ao jardim.

– O que vocês estão fazendo aqui?

– Seun nos deixou ajudar no seu treinamento! – Disse Ian empolgado.
– Eu deixei, mas não disse que precisaria de vocês hoje, meninos! – Disse Seun enquanto se abaixa para encará-los com a mesma altura.

– Ah, Ian! Eu sabia que ele iria dar um jeito de nos mandar embora! – Beni falava, cruzando os braços emburrado.

– Calma, vocês podem observar tudo e depois me digam o que acharam!

Por um momento eles se olharam, então saíram correndo sorrindo e se sentaram sobre o muro da escada para nos observar.

Descemos ao jardim e Seun foi caminhando comigo até uma Jabuticabeira enorme, carregada e disse:

– Bom, aqui eles não nos ouvirão.

– Achei que você me ensinaria a lutar, controlar melhor todas essas habilidades e me tornar uma guerreira para derrotar o terrível Gedor! – Disse em tom de deboche.

Seun deu um sorriso de canto, desviou o olhar e disse:

– Sabe, eu cresci em Cariat. Fui criado lá pelos meus pais, que governaram durante anos aquelas terras. Cariat era tão bonito quanto Bet-Sur e vivíamos em paz, até Gedor trazer o caos e matar meus pais…

– Calma, seu pai era Rei e sua mãe uma Rainha? É isso?

– É, exatamente isso!

– Então, quer dizer que você é um príncipe?

– Se é que eu ainda tenho esse título!

– Você por acaso não está pleiteando o trono do meu pai?

– Claro que não, Albertine! Seu pai foi quem nos salvou! Seus irmãos, na verdade, são meus irmãos. Eles ainda tinham meses de vida quando foram resgatados. Minha mãe, antes de morrer, os entregou a seu pai e pediu pra que ele tomasse conta de meus irmãos e de mim como filhos. Bem, eles não se lembram de nossos pais, mas sabem de toda a história e amam o Rei Medin como seu próprio pai.

– Por isso não me lembrava deles!

– Sim, eles chegaram aqui muito depois da sua partida.

– Mas o que aconteceu com a minha mãe?

– Bem, sua mãe é filha de Gedor. Conheceu seu pai na floresta enquanto fugia de seus pais, pois tinha de se sujeitar a maldade deles. Seu pai a trouxe para Bet-Sur, mas isso foi antes deles tomarem Cariat. Seus pais eram apaixonados, governaram juntos Bet-Sur, até que Gedor veio atrás da filha, mas dificilmente alguém poderia transpor as muralhas de Bet-Sur. Então, uma carta foi enviada secretamente a seu pai, por um dos irmãos de sua mãe. Ele pediu um encontro na floresta, com o pretexto de que estava fugindo de seu pai também e queria abrigo em Bet-Sur e estava com saudades da irmã. O Rei sempre teve um grande coração, independente do que fosse, ele resolveu ir até lá, mas claro, não sozinho, levou quatro de seus melhores homens que ficaram escondidos. Como era de se esperar, tudo foi uma emboscada. O irmão mais velho de sua mãe, acabou sendo morto por seu pai durante a luta dos dois. A fúria de Gedor contra Medin se elevou mais ainda e então, alguns anos depois, o irmão caçula de Lia apareceu sozinho em Bet-Sur. Lia rapidamente pediu pra que o trouxessem. Ela o abrigou e na primeira oportunidade que teve, ele disse a ela que Medin, friamente, havia tramado uma emboscada contra seu irmão, pois não queria que ela tivesse contato com a família, mesmo mediante um pedido de paz, ele negou cordialidade. Ele ainda usou a carta enviada pelo irmão mais velho a Medin para respaldar sua mentira. Lia acreditou e todo seu amor se converteu em ódio! Então, ela abriu as portas das muralhas de Bet-Sur para os soldados de Gedor emboscarem seu pai no castelo.

– Dimitri! Ele é o irmão caçula de minha mãe? Ele é alguns anos mais velho que eu. Lembro-me dele quando criança, claro!

– Eles virão atrás de você!

– Mas por que? – perguntei.

– Ainda não sei!

– Você precisa descobrir!

– Não, na verdade não. – Ele se deitou sobre a grana abaixo da árvore, repousou a cabeça sobre os braços e fechou os olhos. – Mas você talvez saiba o motivo! Bom, é ótimo meditar sob a sombra da jabuticabeira. Boa sorte! – Foram suas últimas palavras antes de cair em um sono profundo.

Por Tauany Farias

Coisa e Tau e Tau e Coisa

Não leu a parte anterior? Então acesse: As peripécias de Albertine Henslie XVII

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