As Peripécias de Albertine Henslies – Parte XXIII

Jessica-Siemens.-Folhas-azuis.-2009

Tudo aconteceu depressa demais. Os muros não foram tombados, mas alguns dos soldados conseguiram penetras as muralhas! A guerra se alastrava em Bet-Sur, meu pai colocou Seun como responsável por defender a mim, meus (nossos) irmãos, minha mãe, Ama Dee e os demais trabalhadores do castelo e suas famílias. Havia um abrigo subterrâneo e era ali que estávamos.

No momento da escolta até aqui, minha mãe foi ferida por uma flecha de seu irmão, Dimitri, que já não a olhava da mesma forma que eu havia presenciado na floresta, o dia que nos encontramos. Seun se encarregou dele, o surpreendendo tão habilmente que não parecia ser o mesmo adversário um tanto débil do primeiro confronto.

Meu pai foi em direção as muralhas com seus melhores homens. Já haviam passado 7 horas desde que fomos deixados aqui e meu coração se angustiava por pensar em Seun e em meu pai lá fora, por não ter notícias, não saber se estavam vivos ou mortos. Minha mãe queimava em febre por conta do ferimento sobre a coxa, onde a flecha transpassara. Via ela lentamente se esvaindo, não sabia se poderia aguentar mais. Meus irmãos choravam inconsolavelmente, até que Ama Dee conseguiu acalmá-los e os fez dormir.

Todo pedaço de pano que tínhamos ali já havia sido usado, na tentativa de limpar ou conter o sangramento. Todos impregnados de sangue, até que Ama Dee falou:

– Se eu ao menos tivesse ramos de cípora.

– Cípora? – Questionei.

– Sim, Albertine! É uma das ervas que cultivo no jardim do palácio. Nossos remédios são diferentes daqueles que você conhece, talvez sejam até mais eficazes. Cípora é uma planta que acelera a coagulação, ajuda no estancamento e cicatrização.

– Eu vou até lá!

– Albertine, seu pai ordenou que ficasse aqui!

– Ele disse pra que eu cuidasse de minha mãe, ficar aqui, vê-la definhando, sabendo que eu poderia ter feito algo, não. Definitivamente não!

– Menina, menina… Você ao menos sabe em que local do jardim está ou como são os ramos desta planta?

– Não, mas espero que você me diga!

– Se eu não disser, você irá sair de qualquer maneira em algum momento, não é mesmo?

Apenas consenti com a cabeça.

– Albertine, preste atenção, no meio do jardim, onde está a jabuticabeira, existem alguns arbustos em volta, de folhas crespas e azuladas. É disso que precisamos!

Olhei em seus olhos e balancei a cabeça. Então, a filha do cocheiro, que deveria ter aproximadamente a idade dos meus irmãos, se aproximou e me deu um abraço! Em seguida seu pai veio até e entregou um pequeno punhal, dizendo:

– Talvez seja útil para retirar os ramos. Apesar de não parecer, os ramos são resistentes!

– Ei, tome isso! – Disse-me uma das cozinheira, entregando-me um pedaço grosso de madeira, com uma alça curta no centro. – Proteja-se.

Senti medo ao me aproximar da porta, ouvia os gritos, ouvia o som das lâminas, flechas cortando o vento, cavalos cavalgando e homens correndo e gritando. Lembrei do que Seun disse que nunca havia visto alguém tão rápido como o Rei antes e me encorajei com estas palavras.

Abri a porta com a ajuda do cocheiro e de Ama Dee.

Concentrei-me tanto quando pude e corri o mais rápido que pude para chegar ao jardim.

Por Tauany Farias

Coisa e Tau e Tau e Coisa

Não leu a parte anterior? Então acesse: As peripécias de Albertine Henslie XXII

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