As Peripécias de Albertine Henslie – Final

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Gedor era alto, calvo, com uma longa barba, forte, olhos fundos e uma aparência incrivelmente jovem em comparação a minha alusão de sua fisionomia.

– O que você quer?

Rapidamente, ele se moveu para trás de mim e começou acariciar meus cabelos e tremi de medo.

– Ora, minha neta, não é óbvio! Quero você, governando ao meu lado!

– Eu? – Disse com a voz trêmula.

– Claro! Além de ser minha neta, sangue do meu sangue, tem habilidades magníficas a serem exploradas. Juntos seríamos invencíveis! Conquistando reinos e mais reinos!

– Eu nunca governaria ao seu lado!
– Por vontade própria talvez não! Mas, quem sabe por outros motivos.

De repente, alguns soldados sob o comando de Dimitri surgem, com meu pai, minha mãe, Seun e meus irmãos acorrentados!

– Olá, Albertine! É um prazer revê-la! – Disse Dimitri com um sorriso de satisfação.

Pensei que Seun houvesse cuidado de Dimitri, mas com certeza, não foi o que aconteceu. Meu coração se encheu de ira neste momento, tanta ira que meu corpo começou queimar. Minha vontade era matá-los ali mesmo! Instintivamente, fui em direção aos soldados, derrubando um por um na minha cólera, com uma habilidade que eu desconhecia. Dimitri tentou me atacar, então o derrubei e o prendi entre meus braços e comecei a estrangulá-lo.

– Albertine! Pare! – Ouvi a voz de meu pai. – Pare, filha!

Olhei e vi Gedor com uma adaga no pescoço de Seun.

– Ouça seu pai, menina! – Disse Gedor. – Solte ele!

Então larguei Dimitri, que levantou e logo amarrou meus braços e me colocou ajoelhada junto com os outros.

– Família reunida! Que momento solene… Deveria tê-lo matado quanto tive chance, garoto… Não imaginei que teria tanto problema! – Dizia Dimitri, dirigindo-se a Seun.

– Albertine, você ainda pode salvá-lo. Basta se juntar a mim!

– Salvá-lo por quanto tempo até você matá-lo?

Gedor gargalhou ironicamente!

– Eu jamais vou governar ao seu lado! Nunca irei com você!

– Mesmo que isso custe a vida de sua família?

Olhei ao redor, olhei para meu pai, minha mãe desacordada, meus irmãos chorando e Seun sussurrando pra que eu não fizesse isso.

– Albertine, não dê ouvidos! – Disse meu pai.

Mas como eu poderia ignorar isto, carregar o sangue deles em minhas mãos.

– Eu vou! Se deixá-los viver em paz em Suez Vale!

– Suez Vale? Quer mandá-los para lá.

– Sim! Mande-os para lá e feche o portal pra que nenhum de nós e nenhum deles posso cruzar a fronteira entre os mundos novamente.

– Justo!

Albatrozes gigantes nos levaram até o campo em que cheguei aqui. Gedor começou se concentrar e estendeu suas mãos, abrindo o portal!

Meu pai e Seun diziam pra que eu não fizesse isso! Doía despedir-me deles e meus olhos marejaram. O portal começou se abrir.

– Você tomou um sábia decisão, minha neta! Não haverá limites para seu poder!

Ignorei as palavras dele enquanto me despedia de meu pai, que implorava pra que desistisse. Beijei minha mãe, meus irmãos.

Então Seun disse:

– Albertine, isso é loucura! Por favor, não faça isso!

– Não tenho escolha, Seun!

– Sim, você tem!

– Não, esse é o único modo de mantê-los vivos em segurança.

Dimitri agarrou o braço de Seun e disse:

– Chega de conversa! – Começou arrastá-lo para perto de onde o portal estava sendo aberto. – Você teve sorte, princepezinho, mas pode deixar que eu vou cuidar muito bem da minha sobrinha!

Vi Seun corar de raiva e puxar com suas mãos amarradas da bainha de Dimitri a espada fincá-la em seu peito.

Gedor irou-se e correu até o corpo de Dimitri gritando de desgosto.

Estremeci, pensando nas consequências!

Seun começou a correr pelo campo, fugindo. Então, Gedor tirou a mesma adaga que havia empunhado sobre seu pescoço no jardim e lançou-a certeiramente nas costas de Seun.

Agora era minha vez de prantear e irar-me por não ter protegido Seun de Gedor! Institivamente, fui até Gedor e lhe golpeei no lado direito do rosto.

Ele sequer se moveu e golpeou-me na boca do estômago. Perdi o fôlego, ouvia meu pai gritar, correr para cima de Gedor e ele simplesmente golpeá-lo, lançando-o longe, enquanto eu desfalecia.
Senti as mãos de Gedor sobre meu pescoço se estreitarem e ele me ergueu! Reuni toda força que tinha para chutá-lo do estômago. Ele se envergou e acabou afrouxando as mãos, consegui me desvencilhar de seu ataque.

Gedor se ergueu e eu me concentrei o máximo que pude para desviar de seus ataques, até que fui derrubada. Já não tinha mais forças. Novamente ele começou me estrangular e disse:

– É realmente uma pena que eu tenha de fazer tudo isto sozinho, mas não preciso de nenhum de vocês mais!

O ar foi ficando cada vez mais rarefeito e minha visão começou a se perder. Já não conseguia mais resistir até que Gedor arregalou os olhos, inclinou para trás o corpo e caiu.

Olhei e vi Ama Dee que o transpassou com uma flecha!

– Albertine, ajude-me aqui! – Ela dizia correndo em direção a meu pai, mas primeiro tinha de ir até Seun.

Corri até ele, deitado de bruços. Chequei sua respiração e, por Deus, ele ainda respirava. Chorei de alívio enquanto me debruçava sobre ele, tentando acordá-lo, mas vi que seria inútil. Então, surgiram alguns soldados que ajudaram com os primeiros socorros de Seun e de todos os outros.
Agora que todos estavam sendo devidamente socorridos, fui até Ama Dee.

– Por que me salvou?

– Porque era a coisa certa a se fazer!

– Por que traiu nossa confiança?

– Albertine, não os traí.

– Então, por que me mandou até o jardim?

– Para que pegasse os ramos para sua mãe!

– Estes ramos não existem!

– É claro que existem, Albertine! Gedor conseguia escutar através da mente de sua mãe, com certeza deve ter retirado todos antes que você chegasse ali.

– Como sabia que estávamos aqui?

– Onde você acha que eu estava enquanto você saiu para ir ao jardim?

– No abrigo com todos os outros!

– Não Albertine, segui você. Dei a minha palavra a seu pai que sempre cuidaria de você e foi o que fiz.

– Você me seguiu?

– Mas é claro, mas não poderia intervir naquele momento. Então, tive de esperar para ter uma chance.

– Desculpe ter desconfiado de você!

– Não se desculpe, menina! Agora tudo acabou, venha cá! – Ama Dee me abraçou.

Voltamos para Bet Sur. Levamos algum tempo para restabelecer a ordem. Seun tomou posse do trono de Cariat novamente! Meu pai tem o ajudado a reerguer o reino novamente.
Houve uma cerimônia real em comemoração a vitória conquistada sobre Gedor e para restabelecer o matrimônio de meus pais novamente, que voltaram governar juntos nossa cidade.

Finalmente, tudo está em seu devido lugar. Seun já não é mais meu tutor, sinto falta dele, confesso.
Os irmãos de Seun e meus irmãos também, ficaram conosco, com suas peraltices diárias.

Um belo dia, estava deitada sob sombra da Jabuticabeira, que parecia um pouco maior agora, quando ouvi uma voz familiar. Era Seun, debochando de mim. Ele se declarou pra mim e confesso que fiquei balanceda, mas eu tinha outros planos. Resolvi voltar a Suez Vale, agora que as coisas estavam resolvidas.

Os órfãos precisavam de mim, de alguma maneira, era como se eu tivesse assuntos inacabados ali. Não sabia por quanto tempo eu havia ficado fora. Meus pais não permitiram a princípio, prometi que não seria permanente e eles deixaram.

Agora estou de volta a Suez Vale, de volta ao orfanato. Dona Carmen não está mais aqui, há uma nova diretora, que estranhamente já aguardava minha volta. As crianças, quando me viram correram até mim, cheias de perguntas.

Sentei-me ao chão com elas e disse:
– Tenho uma história nova para contar a vocês! E ela começou aqui, neste orfanato…

Por Tauany Farias

Coisa e Tau e Tau e Coisa

Não leu a parte anterior? Então acesse: As peripécias de Albertine Henslie XXIV

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