Marco e Ana – Parte VI

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“Ana”

‘Essa sou eu, alguns anos atrás. Dia chuvoso. Estávamos dentro de um carro.
Não entendo porque todos os meus relacionamentos com ótimas possibilidades de sucesso fracassam. É como se eu sabotasse aquilo de bom que me acontece.
Tivemos uma discussão, até que não tão longa. Sabe, eu gosto desse cara, mas não gosto da maneira como devo gostar dentro de um relacionamento. Não consigo desenvolver um sentimento maior.
Então, eu abri o meu coração naquela franca conversa. Choramos, ambos. Afinal, já éramos amigos de longa data.
Depois de um tempo conheço o Pedro. Sim, dele eu gostava como se deve gostar dentro de um relacionamento, penso eu. Fracasso novamente. 
Começo me perguntar o que há de errado.
Meu melhor amigo, o Marco, é quem sempre me ajuda, quem sempre me ouve, quem sempre está ali aconteça o que for.
No dia do término do meu namoro com o Pedro, sim, era ele quem estava lá. Então, eu senti algo estranhamente diferente no abraço dele, no toque, era como se irradiasse uma discreta corrente elétrica por todo meu corpo. Uaul! Como aquilo era bom! O estranho é que parecia que o Marco nunca mais iria voltar depois daquele abraço.

Eu sempre senti que ele gostava de mim, além da conta pra uma amizade. Também sei que ele sempre compreendeu como eu me posicionava sobre nós sem que tivesse que dizer algo. Sabíamos só de nos olharmos. Sabíamos muito um sobre o outro.
Ríamos das mesmas piadas, gostávamos das mesmas músicas, tínhamos o mesmo prato predileto, gostávamos estranhamente de ver como a água da chuva escorre pelas janelas quando estávamos deprimidos, ficávamos ouvindo as mesmas músicas juntos durante o expediente, trocávamos mensagens de texto e conversávamos sobre praticamente tudo. Quando eu ou ele estávamos chateados, íamos jogar sinuca, ou ficávamos dentro do carro cantando canções que gostávamos em voz alta, enquanto nos enchíamos de chocolate, sorvete e pizza.

Deixe-me contar como nos conhecemos.
Nós tínhamos amigos em comum, pois somos atores. Claro, Marco deixou de lado as artes cênicas, eu não. Embora, seja graduada em artes cênicas e esteja concluindo o curso de economia, não questione o porque, coisas de família. Só não larguei a carreira como Marco, porque trabalho junto com meu pai, sendo assim, eu tenho mais flexibilidade pra deixar os negócios de família um pouco de lado e atuar. Não que eu queira herdar a empresa e prosseguir com o trabalho, acredito que meu irmão mais velho vá fazer isso, embora eu passe mais tempo trabalhando com meu pai do que ele.
Enfim, nos conhecemos pelos nossos amigos em comum. Temos um amigo roteirista, o Renato, ele nos convidou para a estréia de uma das peças que ele escreveu. Depois saímos juntos com o elenco, mais alguns amigos e agregados. Foi então que entre brincadeiras, conversas aleatórias, risadas, um rapaz, digamos peculiar, se aproximou. Cabelo castanho claro, desengrenhado e mal penteado, não era tão alto, mas era mais alto do que eu, sem dúvida. Tinha um sorriso bonito, grandes bochechas, pele clara, olhos castanhos claro, usava uma camiseta azul marinho, jeans básico e sapatênis preto.
Era meio desajeitado, mas eu acredito que naquele dia foi pela timidez inicial, mas ele procurou se mostrar tremendamente cavalheiro.
Depois de lá nunca mais paramos de nos falar até agora, pois desde o último dia em que nos vimos ele não me retornou mais.
Não sei o que fazer, só sei que sinto a falta dele de um jeito que eu não imaginava que poderia sentir. Espero que não seja tarde.’
Por Tau Farias
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