Ana e Marco (com Rita) – Parte X

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Marco voltou para casa como alguém que se levanta pra viver uma nova vida. Era como se toda a bagagem fosse deixada pra trás. Afinal, um dia a gente precisa se livrar de todo aquele peso que dificulta nosso andar. Talvez a sensação de voar seja parecida com a que ele sentiu enquanto voltava pra casa, naquela noite fria.

O sol nasce outra vez. Mesmo dormindo pouco, Marco se levanta no horário e disposto. Já solta logo um bom dia todo animado a sua mãe e seu irmão mais novo, como há tempos ele não fazia.

“Nossa, que animação é essa!?”
“Ah, mãe, eu sempre fui alegre!”
“Garoto, eu te conheço. Alguma coisa muito boa aconteceu!” Sua mãe sorria, enquanto preparava a mesa do café.
“Isso deve ter a ver com mulher, certeza!” Disse Caio, seu irmão mais novo, que logo levou uma almofadada, o que provocou uma guerra de almofadas.
“Os dois parem com isso! Parecem duas crianças. Onde já se viu, dois rapazes nessa bagunça! Aiai!”
Os dois irmão se olharam e começarem a gargalhar juntos.
“Eu vou nessa!”
“Não vai tomar café, meu filho?”
“Não mãe, preciso chegar mais cedo… Como algo no trabalho.” Disse Marco beijando a testa de sua mãe e aproveitando pra jogar uma outra almofada em Caio, que estava desprevenido enchendo a boca com um pedaço de bolo.
“Ei!”
“Tchau, maninho!”
Marco correu até a garagem, entrou em seu carro. Aproveitou pra encontrar uma música alegre enquanto o portão se abria, mas no momento em que saiu com o carro da garagem, avistou Dona Beatriz cuidando do jardim. Então parou para dar bom dia a ela.
“Bom dia, Dona Beatriz!”
“Bom dia, Marquinho!”
“Ei, a senhora me daria uma flor?”
“Claro, querido! Que flor você quer?”
“Uma tulipa.”
“Vou te dar uma tulipa vermelha.” Dona Beatriz veio até a janela de meu carro com a tulipa na mão e cochichou: “Ela pode significar uma declaração.”
“Obrigado, Dona Beatriz! Um bom dia pra senhora!”
“Bom dia, Marco.”
Marco acelerou. Não via a hora de chegar e encontrar Rita. De ver o brilho do sol se misturando aos seus cabelos dourados, os seus olhos castanhos claro tão expressivos, suas graciosas maçãs do rosto e seu sorriso.

Chegando ao trabalho, ele deixou a tulipa junto a um bilhete em cima da mesa de rita que dizia:

‘Posso desfrutar da sua companhia nesta noite?
Conheço um restaurante ‘fulerinho’, mas o acompanhante compensa! Rs
Marco.’
 

Marco irradiava sua alegria contagiante a toda equipe. Reuniu sua equipe e tudo fluía tão bem. Nunca houve tanta sintonia em um dia que tinha tudo pra ser o mais massante. Prazos vencendo, clientes querendo receber propostas de campanhas e parecia que até o final do dia eles conseguiriam cumprir todas as metas. Até Marco notar que Rita ainda não tinha aparecido em sua sala nem para dizer ‘oi’.
Então ele começou ficar inquieto. Nenhuma resposta. Nenhum cumprimento. Nenhum sinal de Rita.
Ele pediu licença a equipe e foi procurá-la.
A mesa de Rita estava exatamente como ele a encontrou pela manhã ao deixar a tulipa e o bilhete.
Então, perguntou a Carlos, o diretor de quem Rita era assistente:
“Ei, Carlos! E a Rita? Você a viu?”
“Marco, a Rita teve alguns problemas pessoais e não pode vir hoje.”
A preocupação com Rita o deixou tenso, e o dia tão lindo já não era mais tão colorido.
“Ah, obrigado, Carlos.”
“Ei, e a campanha? Conseguiram desenvolver algo? Cara, aqui as coisas estão difíceis! Tenho mais um cliente interessante pra você.”
“Hoje foi produtivo, Carlos. Bem produtivo!”
“Quando acabar com esse cliente, passe aqui pra conversarmos.”
“Pode deixar!”
A verdade é que Carlos era preguiçoso e gostava de jogar os clientes pra cima de Marco, mas ele não iria aparecer para conversar sobre isso e de verdade, só queria saber sobre Rita.
Sem pestanejar, pegou o celular e ligou para Rita.
Ligou quantas vezes achou necessário, mas não queria parecer chato e obcecado. Enviou uma mensagem de texto. Não recebeu nada de volta. Sem notícias.
“Ei, Marco! O pessoal vai sair pra um happy. Você vem?”
“Não sei, Henrique!”
“É sexta, chefe! Cadê aquele ânimo? Vamo lá, cara!”
Marco olhou para o celular, com um olhar de inquietação, pressionando os lábios, esperando uma resposta. Pegou o casaco, fechou o notebook e foi com Henrique.
Ele estava totalmente desligado dos assuntos. Não conseguia se concentrar em nada. Até que sentiu o celular vibrar. Era uma mensagem de Rita.

Ei, desculpe sumir. Não me ligue por enquanto. Depois eu explico. Beijos!’

O coração de Marco acelerou. Por que é que parecia que toda vez que a felicidade estava em suas mãos, ela acabava escorrendo por entre seus dedos como se fosse água?‘Depois? Preciso realmente saber o que aconteceu. Espero que eu ainda tenha unhas para roer até que este depois chegue!’ – Marco respondeu, tentando ser bem humorado, mesmo sem clima, pra não parecer ansioso e desapontado.Rita respondeu depois de alguns instantes:’Marco, eu já disse que vou explicar. Quando voltar pra casa eu te ligo. Espere eu ligar!’Marco já estava começando a se desiludir. O que Rita teria de tão sério para esconder dele. Por que seus sentimentos só lhe confundiam e causavam mais frustrações?
Foi neste momento que ele começou se convencer de que talvez ele devesse viver sozinho.

Ele se levantou, tão aborrecido com a situação, mas na esperança de que tudo não passasse de um engano. Que estava tudo bem e havia uma explicação totalmente razoável para isso.

Voltando pra casa, passou em frente ao prédio em que Rita morava. Parou em frente e pensou que não custava tentar, mas sentia que pareceria tão desesperado se fizesse isso, mas ele não tinha nada a perder também. Então, tocou o interfone e o porteiro atendeu.
“Pois não?”
“Oi, eu sou o amigo de Rita, Marco.”
“Ah, Marco, você já veio trazê-la algumas vezes. Só um momento, rapaz.”
Ele ficou aguardando, até que uma senhora de idade apareceu.

“Boa noite.”
“Boa noite, senhora.”
“Eu sou a avó de Rita.”
“Dona Carmem, é isso, certo?”
“Isso mesmo. Você deve ser o Marco.”
“Sim, sou eu.” Uma ponta de esperança começou a surgir quando descobriu que ela já havia falado sobre ele com sua avó. Rita morava com a avó. Ela e o irmão mais velho, hoje já casado, quando crianças ficaram órfãos. Eles haviam perdido os pais em um terrível acidente, então acabaram sendo criados pelos avós.
“Acredito que era por causa de você que Rita andava tão sorridente, mas agora as coisas se complicaram, jovem.”
“Dona Carmem, eu sei que nem deveria estar aqui, mas é que eu realmente queria muito vê-la hoje.”
“Acredito que ela também gostaria de te ver, mas agora ela vai dizer que não.”
“Eu fiz algo errado?”
“Você não fez nada errado. Ela que esta se culpando.”
“Se culpando pelo que?” Marco franziu a testa, totalmente confuso e curioso.
“Aquele carro é seu?” Disse Dona Carmem apontando para o carro preto parado em frente a portaria.
“Sim, é meu sim.”
“Então vamos.”
“Vamos pra onde?” Comecei a ficar assustado com a vó de Rita.
“Para o Hospital Central. Conhece o caminho?” Ela disse enquanto Marco abria a porta pra que ela entrasse e assentiu que sim com a cabeça. “Só estou fazendo isso porque quero que minha netinha seja feliz e você me parece um bom rapaz. Ela não pode ficar vivendo com uma velha como eu pra sempre.”
Chegando ao hospital e vendo Rita ao lado do leito de um rapaz forte, moreno, cabelos pretos lisos, pouco mais alto que ele, que dormia, com um curativo envolvendo sua cabeça, uma das pernas engessadas, Marco não soube bem o que pensar. Quem era aquele rapaz? E Rita olhou espantada para Marco e para sua vó, que estavam ali.
Ele só esperava que o que quer que ele escutasse não o fizesse lamentar por ter ido atrás dela.

Por Tauany Farias

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