Ana e Marco – Parte XVI

bigmac

O que é que você faz quando gosta de alguém e não sabe como dizer? O que você faz quando gosta de alguém e às vezes sente que é correspondido e em alguns momentos não?
Complicado é lidar com o coração, principalmente quando você sabe que há a oportunidade de ser feliz de verdade, mas a incerteza alheia te impede de agir como gostaria. Afinal, o coração corre o risco do que mais teme quando se expõem: rejeição! Rejeição, como isso machuca.
Agora eu entendo o Marco. Sentir, ver, ouvir, sorrir, pensar, tocar e não poder fazer o que você mais gostaria de fazer: amar explicitamente. Agora eu sei, desde o começo eu deveria tê-lo amado. Quando ele me ligou dizendo que iria pedir Rita em casamento, eu fiquei em silêncio por algum tempo, tentando conter o nó na garganta, que se desataria no momento que eu proferisse qualquer palavra. Respirei fundo.
“Eu… Eu fico feliz por vocês!”
“Então, você me ajuda escolher uma aliança?”
“Marco, eu ando meio ocupada com uns projetos ultimamente e…”
“Vamos, Ana! Por favor, preciso de você nesse momento. É importante pra mim!”
“Marco, não sei se tenho o mesmo gosto de Rita!”
“Ana, por favor! Sei que vocês mulheres não tem o mesmo gosto, mas sabem sobre os gostos umas das outras. Ajuda seu velho amigo aqui! Seja uma boa madrinha!”
Madrinha? Eu entrei em pânico. E como eu supostamente diria não? Ter de ir ao casamento de Marco, assisti-los no altar, fazendo votos de amor eterno, sem poder fazer nada, além de desejar a felicidade dos dois, celebrar e sorrir. Era demais até pra mim. Nunca fui adepta de dramas amorosos, mas ultimamente, talvez a melhor solução fosse deixar o amor de lado.
“Tá bem!”
“No fim da tarde eu passo pra te buscar!”
“Okay!”
“Ei, obrigado!”
“Não é nada que você não faria por mim!”

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“Ei, o que você acha dessas alianças?” Marco perguntou apontando um par de alianças em ouro amarelo, com bordas em ouro branco.
“São lindas…”
“Você acha que ela iria gostar?”
“Sinceramente, ela gostaria de qualquer coisa que você desse.”
“Tá tudo bem, Ana?”
Eu virei o rosto para não encará-lo e vi um par de alianças em ouro amarelo simples, tradicionais, grossas, mas nem tanto, só o suficiente para serem notadas.
“Aquelas ali!” Eu sinceramente não apontei pensando no que Rita gostaria, mas sim nas que eu escolheria se fossem para mim. Óbvio que ela também iria gostar daquelas, então não achei que haveria problema.
A vendedora colocou alguns pares sobre a bancada de vidro, enquanto falava sobre as especificações de cada uma das alianças. Eu sinceramente não prestava muito atenção.
Então, a vendedora pegou minha mão sem que eu percebesse pra que eu provasse uma aliança.
Eu dei de ombros e a deixei colocar, mas era justamente a aliança que eu havia indicado. Parei por alguns segundos para admirar minha mão com aquele adorno singelo e belo. Pensei em como seria ser pedida em casamento e degustei da sensação, por alguns segundos, do sonho romântico de toda mulher apaixonada se tornando real. Aquela pequena circunferência, um elo sem começo, meio e fim, assim como deveria de ser o amor, eterno. Vi Marco olhar minha mão com um sorriso no canto dos lábios, depois olhou pra mim inclinando a cabeça.
“Vou levar essas.” Ele disse a vendedora.

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Era definitivo, ele realmente iria fazer isso. Eu deveria me desvencilhar daquele sentimento de uma vez por todas.

Fomos em silêncio até minha casa. Eu não tinha o que dizer, não podia dizer, só sei que doía.

“Ana, obrigado! Foi importante pra mim ter você fazendo parte disso, sabe?!”
Eu assenti com a cabeça e sorri para ele, sem ainda conseguir pronunciar qualquer ruído que fosse.
“Ana, tá tudo bem?”
Marco, tirou o cinto e me olhou franzindo a testa. Refleti em poucos segundo no que falar, chegando a conclusão de que nada de pior poderia acontecer a essa altura. Tomei coragem e disse:
“Eu não posso fazer isso.”
“Fazer o que?”
“Não posso ser sua madrinha. Não quero ir a seu casamento. Eu simplesmente não consigo!”
Despejei isso de uma vez em cima dele. Eu não aguentava guardar tudo aquilo pra mim. Já era hora de ser franca.
“Ana, por que você diz isso só agora?”
“Porque eu simplesmente não consigo parar de pensar em você! Eu… não posso.” Senti o nó desatar e os olhos encherem de lágrimas, que começaram lavar meu rosto.
“Eu sempre te perguntei se você estava bem com tudo isso!”
“Eu tentei ficar, tá legal? Tentei aceitar seu relacionamento. Tentei me dar bem com Rita. Tentei ser sua melhor amiga. Não consigo simplesmente deixar de amar você.”
“Me amar? ”
“Seja feliz, Marco!”
“Ei, Ana! Espera!”
Desci do carro antes que ele dissesse algo que fosse me machucar mais. Marco desceu atrás de mim e me puxou pelo braço.
“Precisamos conversar sobre isso.”
“Conversar sobre o que, Marco? Você vai se casar. Não se preocupe, eu supero. Só fica longe, por favor.”
“Ana, longe? Espera. O que você quer que eu faça?”
“Eu queria, sei lá… Voltar no tempo talvez fosse uma alternativa válida.”
Marco me fitou apertando os olhos, espremendo os lábios e balançando a cabeça, como ele fazia quando não sabia o que dizer. Óbvio que ele não esperava por isso.
“Me deixa ir, Marco. Não venha atrás de mim também, por favor.”
Entrei em casa, e me encostei na porta, deslizando até o chão, sucumbindo ao choro latente.
Foi então que, depois de algum tempo chorando e juntando tudo o que sobrou de mim, tomei a decisão. Peguei o telefone e liguei.
“Alô?”
“Alô? Renato? É a Ana!”
“Oi, Ana! Tudo bem?”
“Tudo! E contigo?”
“Muito bem! Então, tem boas notícias pra mim?”
“Eu resolvi aceitar seu convite. Quero ir pra Londres participar do espetáculo!”
Por Tau Farias
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